Definição e Importância do Plano de Negócios
O plano de negócios é um documento estratégico que define detalhadamente os objetivos de uma empresa e os passos necessários para atingi-los. Alves e Duarte (2016, p. 121) dizem “É possível observar que o detalhamento de um Plano de Negócios oferece a empresa e a qualquer leitor externo um conhecimento amplo do negócio e, na maioria dos casos, um entendimento maior do fluxo financeiro. Um dos objetivos mais importantes é apresentar a rentabilidade da empresa, tanto para investidores quanto para a gestão interna. Assim, é possível identificar os próximos passos do negócio, com base nos dados apresentados no plano.”
Sua elaboração exige uma investigação profunda sobre o ambiente de mercado, os concorrentes, os clientes e os fornecedores, proporcionando um entendimento abrangente das forças que influenciam o sucesso da empresa (Pereira e Lopes, 2020). Isso torna o plano de negócios uma peça fundamental tanto na fase inicial de um empreendimento quanto em momentos críticos de transformação.
Segundo Neto (2010, p. 2) “o principal objetivo do Plano de Negócios é orientar o empreendedor na tomada de decisões estratégicas antes de iniciar o seu empreendimento, com o intuito de minimizar fatores de risco”.
Além de um documento estratégico, é também uma ferramenta fundamental que auxilia os empreendedores a delinearem os objetivos e a traçarem os caminhos necessários para alcançar o sucesso.
Componentes Essenciais no Plano de Negócios
Wildauer (2012) ressalta a importância de, antes de pensar nos elementos do plano de negócios, concentrar-se primeiro em que análises fazer, porque as mesmas conduzem a tomada de decisões críticas para o sucesso do empreendimento.
Segundo Kotler e Keller (2016) “o comportamento do consumidor é o estudo sobre como indivíduos, grupos e organizações selecionam, compram, usam e descartam bens, serviços, ideias ou experiências para satisfazer suas necessidades e desejos”. Logo, entende-se que uma análise de mercado detalhada permite que a empresa identifique as melhores oportunidades para se posicionar, seja por meio de diferenciação, seja por custos.
O planejamento financeiro, por sua vez, é descrito por Gitman (1997) como a espinha dorsal do plano de negócios, uma vez que projeta o fluxo de caixa, o capital de giro necessário e os investimentos iniciais. Ele permite que a empresa estabeleça metas de curto e longo prazo prevendo cenários otimistas e pessimistas.
Capel e Martins (2012, p. 30) ressaltam sobre a importância do planejamento financeiro dentro da empresa dizendo que um bom planejamento financeiro “está relacionado ao sucesso que a empresa almeja, por meio dele, consegue-se traçar metas a longo e curto prazo para que os objetivos sejam atingidos”.
Desse modo, o planejamento financeiro é um dos pontos cruciais para o plano de negócios, porque através dele todas as ações pensadas na organização vão ser levadas em consideração se há possibilidade de executar ou não.
Outro ponto importante dentro de um plano de negócios são as estratégias de marketing. É necessário dentro do plano de negócios desenvolver também um plano de marketing visando atender os objetivos da organização a curto, médio e longo prazo.
Toledo, Prado e Petraglia (2007, p. 287) dizem que “as estratégias se encontram presentes em todas as organizações, tanto as mais simples como as maiores e mais complexas”. O plano de marketing é essencial para desenvolver estratégias considerando como atingir o público-alvo no mercado de interesse. É nesse ponto que se estuda e analisa-se quais canais de distribuição serão utilizados em ações de marketing, qual a linguagem, qual a maneira que o público-alvo será abordado. Além disso, o plano de marketing contribuiu para um planejamento estratégico, visando objetivos claros e concisos, sendo alcançáveis com um bom plano de marketing atrelado.
Já o plano operacional descreve os processos internos necessários para garantir que o produto chegue ao consumidor final com eficiência e qualidade, desde a produção até a logística de entrega. Deve ser bem definido a fim de que o dia a dia da empresa funcione de maneira eficaz. Além disso, é extremamente importante que o plano operacional esteja alinhado com o plano de negócios e com o planejamento de marketing para que a empresa consiga atingir os objetivos a curto e longo prazo.
Estratégias de Marketing no Plano de Negócios
As estratégias de marketing são fundamentais na composição do plano de negócios. Elas auxiliam nas previsões de comunicações inicias da empresa a fim de divulgar sua marca e seuEs produtos. Enquanto no plano de negócios as estratégias de marketing são utilizadas com prévias iniciais para a empresa começar sua trajetória, mais a frente, elas são aplicadas e elaboradas de acordo com a relação que o empreendimento está tendo com o mercado.
Lima e Carvalho (2011) salientam que o planejamento de marketing dentro das estratégias da empresa atua como um mapa mostrando para onde a empresa está indo e para onde ela vai. Além disso, além de um plano de ação cotidiano, é também um documento escrito.
Para contribuir com as estratégias de marketing, algumas ferramentas podem ser utilizadas nas análises do empreendimento como a matriz SWOT e as 5 Forças de Porter. Segundo Silva e Vacovski (2015) a análise SWOT é uma ferramenta estratégica utilizada para avaliar os ambientes interno e externo da organização. Seu objetivo é diagnosticar forças, fraquezas, oportunidades e ameaças, permitindo a criação de uma lista de prós e contras que subsidia a tomada de decisão.
A análise SWOT contribui na análise mercadológica para o plano de negócios a fim de entender a relação que a empresa tem com seu ambiente interno, considerando forças e fraquezas e, além disso, as oportunidades e ameaças permitem uma análise entre a relação da empresa com o ambiente externo.
Outra ferramenta muito importante dentro da análise de marketing par ao plano de negócios são as 5 Forças de Porter. Segundo Barboza e Rojo (2015) as estratégias organizacionais são fortemente impactadas pelo setor industrial, pois dependem de seus recursos, enquanto as indústrias e demais empresas também são influenciadas por forças externas. Além disso, os autores comentam que apud Porter (1990) as cinco forças competitivas que definem as regras da concorrência incluem a ameaça de novos entrantes, a ameaça de produtos substitutos, o poder de negociação dos compradores, o poder de negociação dos fornecedores e a rivalidade entre os concorrentes existentes.
As estratégias de marketing no plano de negócios são indispensáveis. Trata-se de uma parte do planejamento muito importante que será utilizada tanto na antecedência da abertura do negócio quanto durante o seu funcionamento. É interessante pensar ainda que, as estratégias de marketing devem estar em constante atualização uma vez que dependem das relações mercadológicas externas e internas.
Planejamento Operacional
O planejamento operacional incluso no plano de negócios é importante para traçar toda E a trajetória do produto dentro da organização. De maneira estruturada e alinhado ao planejamento financeiro, o planejamento operacional contribuiu para a escolha dos produtos, bem como com a análise financeira dos mesmos como custos, investimento, custos de estoque e demais funcionalidades.
Oliveira e Silva (2014) salientam que o controle de estoque possui um papel muito importante na fase administrativa. Através de uma boa gestão de estoque é possível ter um controle de custos de produtos, bem como saber a necessidade de adaptar-se com novos fornecedores ou promoções a fim de vender os produtos.
O planejamento operacional, incluso no plano de negócios, é essencial para conectar as atividades diárias aos objetivos de longo prazo da empresa. Uma gestão eficiente do estoque reduz custos ao evitar excessos ou faltas, permitindo ajustes rápidos à demanda do mercado. Isso otimiza os processos logísticos, diminui desperdícios e fortalece a competitividade, garantindo recursos disponíveis no momento certo.
A operação do estoque dentro da organização é de suma importância, afinal essa boa gestão permite condições fundamentais para garantir um equilíbrio financeiro e econômico dentro da organização (SANTOS, 2013). Entende-se que dentro do plano de negócios, por mais que muitas vezes os planejamentos financeiro e de marketing são encarados como os mais importantes, não se pode desvalorizar o plano operacional, uma vez que ele garante uma saúde econômica e financeira a longo prazo dentro da organização.
Além disso, a gestão de estoque também melhora a tomada de decisão estratégica ao oferecer dados precisos sobre o giro de produtos. Com o uso de tecnologias, como sistemas integrados, a empresa ganha agilidade, reduz erros e aumenta a lucratividade. Assim, o planejamento operacional assegura equilíbrio financeiro e adaptação às mudanças, promovendo estabilidade econômica no início e no decorrer da empresa.
Planejamento Financeiro como Ferramenta de Análise de Viabilidade
O planejamento financeiro é um componente essencial no plano de negócios. Afinal, o plano financeiro da empresa é quem vai dar o norte sobre a capacidade de dar sequência no projeto ou não. Lucion (2005, p. 143) diz que o planejamento financeiro “visa dar a sustentação necessária para execução de planos estratégicos a curto e a longo prazo, direcionando toda a ação empresarial com a atingir as metas orçamentárias previstas.”
Com essa análise entende-se que o planejamento financeiro vai garantir ao empreendedor uma sustentação sobre a possibilidade de abrir o negócio. Essa seção do plano de negócios contribui para dar segurança ao empresário de maneira a não tomar decisões ruins para o avanço do seu empreendimento.
Barreto e Antonovz (2016) dizem que a deficiência da gestão empresarial, incluindo a má gestão de custos tem sido o terceiro motivo listado pelos empresários que fecham seus negócios após dois anos de abertura. Compreende-se então, que uma eficiente análise de custos e um bom planejamento financeira sustenta o empreendedor para a abertura do seu negócio, afinal essa má gestão desencadeia no fechamento precoce de muitas empresas.
O fator financeiro no desenvolvimento do plano de negócios é que demonstra a possibilidade da abertura do negócio analisando com base na viabilidade financeira. Kelin (2014) salienta que o plano de negócios é responsável por demonstrar a viabilidade de abertura do negócio com perspectivas futuras, mostrando ainda de que maneira o empreendedor pode alcançar sucesso no seu negócio.
Dentro do plano de negócios alguns cálculos financeiros devem ser realizados a fim de garantir com mais constância a viabilidade econômico-financeira do empreendimento. Para tal, o VPL (valor presente líquido) consiste num indicador muito importante para o investimento em um novo empreendimento. Júnior e Torres (2013) apud Helfert (2000) salientam que a avaliação pelo método do VPL considera fatores como as compensações do fluxo de caixa, os benefícios futuros e os valores finais convertidos para o valor presente equivalente. Esse método possibilita aos tomadores de decisão mensurar a liquidez do saldo, determinando a natureza das compensações econômicas e financeiras envolvidas. Com o isso o VPL auxilia o empreendedor a entender, a partir do fluxo de caixa empresarial, a viabilidade econômico-financeira do negócio.
Além disso, outro indicador extremamente importante dentro da construção e da análise financeiro no plano de negócios é o payback. Segundo Diniz et al. (2023) o payback é um método de análise de investimentos que determina o tempo necessário para que o capital investido em um projeto seja recuperado. Ou seja, através desse indicador têm-se a previsão de quanto tempo levará para que o investimento para abrir o negócio seja pago. Interessante salientar que não está se referenciando a quando o investimento gerará lucro, mas sim, quando ele se pagará.
O break-even point, por fim, é um indicador que segundo Alves et al. (2019) representa o faturamento mínimo necessário para que a empresa cubra seus custos fixos e alcance o ponto de equilíbrio, onde não há lucro nem prejuízo. A partir desse nível de vendas, qualquer unidade adicional comercializada contribuirá para o lucro da empresa.
O ponto de equilíbrio dará segurança ao empreendedor, que somadas as informações de VPL e payback confirmará a viabilidade do negócio. Em suma, o break-even point, dará condições de entender em que ponto o negócio começará a gerar lucro. O payback contribuíra para entender em quanto tempo o investimento inicial se pagará e, por fim, o VPL ajudará a entender a viabilidade econômica do negócio com uma perspectiva de lucros futuros analisando todo o investimento realizado e todo o cenário do negócio.
Alinhada ao estudo de viabilidade econômico-financeira é necessária avaliar quais são os riscos do empreendimento, uma vez que se trabalha com cenários todos hipotéticos. Segundo Araújo e Gomes (2021) apud Hill e Dinsdale (2003), uma gestão eficaz de riscos na administração reduz a probabilidade e a gravidade de eventos indesejáveis, permitindo a antecipação de riscos futuros e uma abordagem proativa em vez de reativa. Entende-se que encontrar os riscos do empreendimento é importante e, mais ainda, encontrar estratégias para mitigar esses riscos fazendo com que o empreendimento planejado no plano de negócios tenha sucesso.
Uma ferramenta útil para analisar os riscos e entender a sua urgência de serem resolvidos pode-se utilizar a matriz GUT. Assis (2024) apud Bastos (2014) a técnica GUT foi desenvolvida por Kepner e Tregoe na solução de questões organizacionais, com o objetivo de orientar decisões mais complexas. Ela é utilizada para definir as prioridades entre diversas alternativas de ação. Além disso, Assis (2024) apud Daychoum (2011) salienta que a técnica é descrita como uma ferramenta para priorizar e tratar problemas, considerando os fatores Gravidade, Urgência e Tendência. Cada fator recebe uma pontuação, que pode variar, por exemplo, de 1 a 5. A gravidade está relacionada à não resolução do problema, indicando o impacto, especialmente em relação aos resultados e processos que podem surgir a longo prazo.
Considera-se então a matriz GUT como um elemento fundamental para análise de riscos do empreendimento a fim de tomar as decisões corretas para mitigar os erros e garantir o sucesso com o negócio.
Plano de Ação
O plano de ação desempenha uma função primordial dentro do plano de negócios, afinal ele trará a aplicação de todas as estratégias estipuladas no decorrer do plano, além de considerar os riscos que o empreendimento pode ter. É essencial que o plano de ação seja elaborado de forma clara para todos os envolvidos, definindo o que será realizado, quem será o responsável pela execução, o local de realização, o prazo estipulado, o motivo que levou à ação e a forma como o responsável será avaliado, de modo que a execução elimine quaisquer dúvidas sobre a ação corretiva e assegure clareza em todos os aspectos ligados à sua correção (CASTRO, 2014).
Uma ferramenta extremamente utilizada para o cronograma e aplicação do plano de ação e o modelo 5W2H. Segundo Grosbelli (2014) o modelo 5W2H é extremamente valioso para as empresas, uma vez que define com máxima clareza as atividades que precisam ser ajustadas, evitando dúvidas entre os colaboradores, e, para alcançar a otimização e melhoria no processo, é fundamental compreender sua formatação, isto é, o mapeamento estruturado por meio dessa metodologia.
| What? | O que será feito? |
| Why? | Por quê? |
| Where? | Onde? |
| When? | Quando? |
| Who? | Quem? |
| How? | Como? |
| How much? | Quanto custará? |
Esse modelo traz para o plano de negócios uma facilidade para analisar todas estratégias elaboradas durante o planejamento. Com isso, estruturar os passos e as tomas de decisão dentro da organização se tornam mais fáceis ao empreendedor.
TCC Guilherme Machado
PLANO DE NEGÓCIOS PARA A ABERTURA DE UM ESTABELECIMENTO FÍSICO DE UMA LOJA DE PRODUTOS PERSONALIZADOS